O eu

 Sou antiga.

Aos meus 43 anos, ouso dizer que sou antiga. Gosto de escrever. E gosto de blog's. Não esses usados para melhorar a performance de buscas de sites, mas aqueles que contam histórias, que apresentam a escritora entre receitas, que abrem experiências ou só nos acalentam com suas crônicas do cotidiano, nos fazem sentir abraçadas (então isso não acontece só comigo?!). Aqueles de fotos de lugares que nunca vi, ou de visões do mesmo de sempre, que eu nunca foquei.

Hoje, blog é performance, as relações estão nas redes sociais, onde só se mostra o perfeito. Gosto de coisas antigas e do imperfeito.

Aquele imperfeito que abraça, que nos faz existir. Aquele prato que lascou e virou um prato de vaso, aquela calça que manchou de vinho e nunca mais saiu, mas me faz lembrar da festa, do momento.

Aí que, quando nem se usa mais, resolvi escrever um blog. Por quê? Porque escrever uma tese não foi suficiente. Ter dois artigos na fila, 13 cartas de motivação para escrever e uns 4 projetos de pesquisa novos não são suficientes. Me vi escritora, mas de tudo. Sinto ânsias que só o teclado (e a caneta) acalmam.

Talvez aqui você encontre receitas. Talvez uma vida (im)perfeita. Fotos, focos, fofuras, amor. Talvez você nunca encontre essas palavras. Não importa.

Como já disse antes, quero fazer coisas bonitas, mesmo que ninguém esteja olhando. Quero ser escritora, mesmo que não tenha leitores. Tantos "queros", então, por que não?

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